O que diferencia a educação adventista do sétimo dia das demais? Embora existam muitas características distintivas, elas se fundem em um único construto definidor – a filosofia da educação adventista.

À primeira vista, Colossenses 2:8 parece desconcertante: “Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas...” (ARA).1 Com base nessa afirmação, parece que a própria filosofia estaria fora dos limites. Filosofia, no entanto, é apenas “um conjunto de ideias sobre como fazer algo ou como viver”.2 Ela é derivada do grego φιλοσοφία (philosophia), que, em termos literais, significa “amor à sabedoria”.3

O problema, então, não está em ter um conjunto de princípios orientadores sobre como conduzir a educação, nem em buscar a sabedoria. Afinal, as Escrituras nos lembram que “A sabedoria é a coisa principal; adquire, pois, a sabedoria” (Pv 4:7, ARC).4

Como Paulo aponta, o problema é de onde obtemos esse “conjunto de ideias”, é para onde nos dirigimos em nossa busca pela sabedoria. Ele advertiu: “Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo” (itálicos acrescentados).

Em essência, pode-se formular e implementar uma filosofia bíblica de educação centrada em Deus. Ou pode-se aderir à sua antítese, uma abordagem secular que tira Deus da equação, seja por meio de uma filosofia de educação tradicional ou contemporânea. Nisso, o perigo.

É vital que nós, como educadores, compreendamos claramente a filosofia bíblica da educação adventista. Ellen White escreveu: “Os professores precisam se familiarizar com a verdadeira filosofia, e onde ela pode ser encontrada mais perfeita e completa do que na Palavra de Deus? Esta Palavra abre um caminho seguro, no qual nossos pés podem caminhar com segurança.”5

A filosofia educacional adventista do sétimo dia baseia-se, então, no alicerce das Escrituras. Também é guiada pelos escritos de Ellen G. White, particularmente em obras como o livro Educação.6 E é expressa sucintamente na Política de Trabalho da Associação Geral,7 seção FE 05 10 (ver Figura 1). Com base nessas fontes, destacaremos sete componentes-chave que servem como elementos essenciais de uma filosofia adventista de educação.8 Esses elementos interconectados nos ajudam a identificar o propósito, produto, paradigma, perspectiva, processo, poder e prioridade da educação adventista.

1. A imagem de Deus

Na criação, os seres humanos foram formados à imagem de Deus, à Sua semelhança (Gn 1:26, 27). Ser criado à imagem de Deus, imago dei, nos dá a capacidade de amar (Jo 3:16, 17; 1 Jo 4:16), a capacidade de se relacionar e comunicar (Gn 1:3, 26-29; 2:18, 23; 3:8), a aptidão para administrar (Gn 1:28; 2:15), e as facilidades para a criatividade, tomada de decisão e pensamento racional (Gn 2:16, 17; Js 24:15; Is 1:18). Consequentemente, sempre que fazemos um amigo, abraçamos uma criança, damos nome a um animal de estimação, pintamos um retrato ou enviamos uma mensagem de texto, proclamamos que fomos feitos à semelhança de Deus.

No entanto, a principal característica da “imagem de Deus” é encontrada em nossa natureza espiritual e moral (Gn 9:6; Jo 4:24). Podemos nos comunicar, desenvolver relacionamentos, exercer liderança e evidenciar a criatividade. Mas, a menos que sejamos guiados por valores morais derivados de princípios incorporados no caráter de Deus,9 o resultado não será semelhança a Deus.

Considere, por exemplo, o domínio, a capacidade de governar (Gn 1:26-28). Seja para servir a si mesmo ou focado no serviço altruísta, a maneira de nosso governo é, em última análise, de maior importância do que o mero fato de tal regra.

Nossas habilidades dadas por Deus, então, não são fins em si mesmas. Em vez disso, elas nos fornecem a capacidade de tomar decisões éticas e viver vidas morais. Consequentemente, é na esfera moral, no caráter que a imagem de Deus é mais claramente revelada.10

As Escrituras afirmam que fomos resgatados “do domínio das trevas” (Cl 1:13)11 e que o Senhor restaura nosso vigor (Sl 23:3). Por que a redenção e a restauração são necessárias? Incluída na imago dei está a volição, a capacidade de tomar decisões. Essa liberdade de escolha inclui a capacidade de amar ou não amar, confiar ou desconfiar. Inclui a capacidade de escolher o bem ou o mal, a piedade ou a impiedade.12

Tragicamente, os primeiros seres humanos desconfiaram do Criador e escolheram rejeitar um relacionamento com Deus. Como resultado, estamos “destituídos da glória de Deus” (Rm 3:23; 5:12). Ao longo da história humana, começamos a perder progressivamente a semelhança com o nosso Criador, e a imagem de Deus tornou-se cada vez mais distorcida e deformada.

A boa notícia é que a restauração é possível. Como isso acontece? Paulo aponta que, ao olhar para Jesus, ao contemplar Sua vida e ensinamentos, somos transformados à Sua semelhança (2 Co 3:18). Essa restauração promove uma reforma de nossa vida, uma metamorfose (Rm 12:2) na qual as coisas velhas já passaram e “eis que se fizeram novas” (2Co 5:17, ARA).

Ellen White afirmou que “o verdadeiro objetivo da educação é restaurar a imagem de Deus na alma”.13 Consequentemente, o componente “imagem de Deus” da filosofia da educação destaca o propósito da educação adventista e leva às seguintes implicações:

  • os alunos são criação de Deus e, portanto, possuem valor inerente;
  • como educadores, devemos expressar em nossa vida os atributos de Deus;
  • a educação adventista é exaltar Jesus para que os alunos vejam quem Deus realmente é e para que sejam transformados à Sua semelhança.

2. Desenvolvimento da pessoa como um todo

Lucas 2:52 afirma que “Jesus ia crescendo em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens”. Esse crescimento multifacetado incorporou quatro dimensões cruciais: desenvolvimento intelectual, físico, espiritual e social.

Similarmente, Ellen White, nos parágrafos iniciais do livro Educação, escreveu que “a verdadeira educação [...] é o desenvolvimento harmônico das faculdades físicas, intelectuais e espirituais”.14 Ela então acrescentou que tal experiência de aprendizado “prepara o estudante para o gozo do serviço neste mundo, e para aquela alegria mais elevada por um mais dilatado serviço no mundo vindouro”, enfatizando o componente socioemocional.

O desenvolvimento da pessoa como um todo descreve o produto da educação adventista. No campo mental, a experiência educacional é transmitir sabedoria, uma aplicação correta do conhecimento que busca glorificar a Deus e abençoar aqueles que nos rodeiam. Ela contribui para o pensamento de nível superior: análise, avaliação e pensamento e ação criativos. Fundamentalmente, procura enquadrar uma cosmovisão bíblica, onde cada aspecto da vida e do aprendizado é visto através de uma lente bíblica, com os alunos se esforçando para entender a disciplina e suas aplicações como Deus as vê.

O componente físico incorpora um estilo de vida saudável, uma ética de trabalho sólida e recreação como recriação – uma mudança na rotina que contribui para restaurar a imagem de Deus. O foco espiritual abrange o estudo da Bíblia, o desenvolvimento de um relacionamento pessoal e corporativo com Deus e a formação do caráter moral. A dimensão social apresenta o serviço, o testemunho e a orientação da vida e da vocação como resposta ao chamado divino. Ao todo, um “desenvolvimento harmônico”15 que prepara o aluno para a vida aqui e “no mundo vindouro” (ver Figura 2).

Esse conceito-chave tem várias implicações:

  • os alunos devem experimentar o desenvolvimento integral da pessoa em cada nível educacional;
  • como educadores, devemos incorporar os principais objetivos espirituais, físicos e sociais em todo o programa de estudos em uma abordagem equilibrada que desenvolva ainda mais as competências cognitivas;
  • experiências missionárias e aprendizado de serviço devem ser marcas registradas da educação adventista.

3. Toda verdade é a verdade de Deus

As Escrituras deixam isso claro. “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai” (Tg 1:17, ARA). “Pois o Senhor é quem dá sabedoria; de sua boca procedem o conhecimento e o discernimento” (Pv 2:6). “A graça e a verdade vieram por intermédio de Jesus Cristo” (Jo 1:17).

Deus, então, é a Fonte da verdade, revelando fatos e princípios por meio das Escrituras, de Suas obras criadas no mundo físico e na sociedade humana, e mediante processos de pensamento criativos e reflexivos. No entanto, cada um deles deve apontar e funcionar em harmonia com sua Fonte. E entre esses, devemos reconhecer as Escrituras como a revelação mais clara e abrangente da verdade de Deus (ver Figura 3).

O papel da Palavra no processo de ensino e aprendizagem é destacado em toda a Bíblia. Davi declarou: “A explicação da tua palavra ilumina” (Sl 119:130).16 E Cristo orou: “‘Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17:17).

Qual é, então, o lugar da Bíblia na educação adventista? Não é ser uma fatia do currículo, uma disciplina entre muitas, competindo pelo tempo e atenção do aluno. Em vez disso, a Palavra de Deus deve ser central para cada tema de estudo (ver Figura 4).

Ellen White destacou o papel das Escrituras como o grande fator unificador no programa de estudos: “A Bíblia deve ser tomada como fundamento do estudo e do ensino.”17 Martinho Lutero, o Reformador Protestante, afirmou assim: “Receio muito que as universidades venham a ser as grandes portas do inferno, a menos que trabalhem diligentemente em explicar as Sagradas Escrituras e gravá-las no coração dos jovens. Aconselho que ninguém coloque seu filho onde as Escrituras não reinem em primeiro lugar. Toda instituição na qual os homens não estão incessantemente ocupados com a palavra de Deus deve tornar-se corrupta.”18

Reconhecer Deus como a Fonte de toda a verdade é um paradigma sustentador na educação adventista e nos leva às seguintes implicações:

  • Os alunos devem interagir pessoalmente com a Palavra de Deus em cada área de estudo.
  • Como educadores, devemos conectar intencionalmente todo o conhecimento a sua Fonte.
  • A educação adventista deve fazer da Palavra de Deus o fundamento de todos os esforços acadêmicos.

4. Uma estrutura espiritual abrangente

Talvez desde os tempos antigos tenhamos herdado o problema do pensamento dualista. Criamos falsas dicotomias: amor versus autoridade, misericórdia versus justiça, teoria versus prática, aluno versus disciplina.

A mais problemática, no entanto, é a divisão espiritual-secular. Nós rotulamos alguns aspectos da vida como espirituais, como frequentar cultos religiosos e realizar devoções pessoais, enquanto consideramos o resto como secular, sem referência a Deus ou Seu plano para nossa vida. O mesmo dualismo pode entrar na educação, onde a disciplina de religião, a semana de oração ou um pensamento devocional é visto como espiritual, após o qual continuamos com o restante do aprendizado a partir de uma estrutura secular (ver Figura 5).

As Escrituras, no entanto, sustentam que uma perspectiva espiritual deve permear tudo. “Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus” (1Co 10:31). “Tudo o que fizerem, seja em palavra ou em ação, façam-no em nome do Senhor Jesus” (Cl 3:17).

Paulo afirmou ainda que devemos levar “cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo” (2Co 10:5). Um programa de estudos é composto por disciplinas que são compostas por tópicos que consistem em conceitos. Se todos os pensamentos reconhecem o senhorio de Cristo, isso significa que todos os conceitos, tópicos, cursos e, de fato, todo o programa educacional deve reconhecer que Jesus é o Senhor.

Uma perspectiva abrangente cheia do Espírito, então, envolve a vida e o aprendizado cristãos (ver Figura 6). Paulo escreveu: “e vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou”, onde “Cristo é tudo em todos” (Cl 3:10, 11; ARA). Observe que a restauração da imagem de Deus envolve uma renovação da mente, de nossa visão de vida e aprendizado. “Seja a atitude de vocês” – a perspectiva, a mente – “a mesma de Cristo Jesus” (Fp 2:5).

Nesse sentido, Ellen White lembrou aos educadores: “A religião bíblica não deve ser como uma pitada de cor pincelada aqui e ali sobre a tela, mas sua influência deve permear toda a vida, como se a tela fosse mergulhada na cor até que cada fio do tecido seja tingido de um tom profundo, rápido e permanente.”19

As implicações da perspectiva espiritual abrangente incluem o seguinte:

  • Como cristãos, devemos pensar de forma cristã – esforçando-nos para ver todas as coisas da perspectiva de Deus.
  • A cosmovisão bíblica traz uma abordagem unificada da vida e do aprendizado, evitando uma dicotomia espiritual/secular.
  • Como educadores, devemos garantir que um foco espiritual enquadre cada assunto e tópico acadêmico.

5. Nutrindo a fé

Nas Escrituras, fé, aprendizado e vida estão ligados. Paulo declarou: “E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” (Rm 10:17; ARA). A fé, então, está ligada ao aprendizado sobre Deus e Seu plano para a nossa vida. Isso é essencial, mas insuficiente. A fé também deve estar ligada à vida. Como Tiago afirmou, “a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta” (Tg 2:17). Esse processo de integração da fé no aprendizado e na vida está ancorado na Palavra de Deus (ver Figura 7). Consideraremos brevemente esses elementos.

. Jesus perguntou: “Quando o filho do homem vier, encontrará fé na terra?” (Lc 18:8). A fé é a confiança em algo ou alguém. Existem três dimensões-chave: (1) fé em Deus, tanto conhecer a respeito de Deus quanto conhecê-Lo experimentalmente; (2) fé na revelação divina, confiança na mensagem de Deus e confiança no plano divino; e, talvez o mais difícil às vezes, (3) fé nas pessoas, no potencial dos outros e de nós mesmos, pela graça de Deus.

Aprendendo. Jesus declarou: “‘Venham a mim [. . .] e aprendam de mim’” (Mt 11:28, 29). Há dois aspectos essenciais nesse processo: (1) aprender a pensar de forma cristã – uma mudança de mente, e (2) aprender a viver pela fé – uma mudança de vida. A mudança de mente envolve a internalização das atitudes e prioridades de Cristo. A mudança de vida envolve confiar no plano divino e refletir esse compromisso em nossas escolhas e ações.

Vida. Jesus anunciou: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10:10; ARA). Essa “vida abundante” abrange tanto uma vida significativa quanto uma vida eterna. Ele fornece foco e direção em nossa vida. E a dimensão eterna começa quando aceitamos Cristo como Salvador. “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17:3; ARA).

Qual é então a unidade de fé, aprendizado e vida? É quando as crenças e valores bíblicos fornecem a base para o esforço acadêmico, que, por sua vez, busca relacionar o cristianismo com toda a extensão da experiência humana. Isso é mais do que apenas uma mistura ou um encontro casual. Acontece quando a fé é o grande fator integrador de todo aprendizado e vida.

Nutrir a fé é então o processo integrador na filosofia da educação adventista. Ellen White escreveu: “Os alunos de nossas escolas e todos os nossos jovens devem receber uma educação que os fortaleça na fé.”20 Esse foco de afirmação da fé leva às seguintes implicações:

  • Os alunos devem experimentar pessoalmente a fé, desenvolvida através de um relacionamento com Deus.
  • Os professores devem nutrir a fé buscando uma transformação na mente e na vida.
  • Um objetivo abrangente da educação adventista é formar pessoas que confiam no plano de Deus para sua vida.

6. Professores cheios do Espírito

O Espírito Santo é o poder da educação adventista (At1:8). “Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas.” (Jo 14:26; ARA; ênfase acrescentada). Efésios 4 nos lembra que o ensino cheio do Espírito é um dom divino, concedido para “preparar os santos para a obra do ministério” e para edificar o corpo de Cristo na “fé e no conhecimento do Filho de Deus” (v. 11-13).

Na educação adventista, os professores devem ser competentes, demonstrando conhecimento sólido do conteúdo e habilidades de ensino eficazes, servindo como mentores atenciosos e comprometidos com o crescimento profissional. Embora a competência seja vital, não deixa de ser insuficiente para cumprir a tarefa da educação cristã. Assim como a Terra está cercada por uma atmosfera vivificante, a competência deve estar envolvida em compromisso.

O conceito de compromisso é bíblico. Paulo escreveu a Timóteo: “E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros” (2Tm 2:2; ARA; ênfase nossa). Jesus esclareceu ainda que “um servo fiel e sensato” é aquele a quem o senhor pode dar a responsabilidade de administrar sua casa (Mt 24:45).

Ellen White afirmou que “não basta, porém, que o professor possua natural aptidão e cultura intelectual. Estas são indispensáveis, mas sem a habilitação espiritual para a obra, não se acha preparado para nela empenhar-se. Ele deve ver em cada aluno a obra das mãos de Deus – um candidato às honras imortais.”21 E nos é prometido: “Tão certo como os educadores da juventude forem consagrados a Deus, assim também seus esforços serão coroados de sucesso, nesta vida e na vida futura.”22

Tal compromisso envolve a consagração de todo o coração a Deus e o cumprimento da missão que Ele confiou. Isto inclui dedicação à salvação de nossos alunos, fidelidade à cosmovisão bíblica e devoção a uma vida de testemunho e serviço. Significa que procuramos representar o Mestre. “Portanto, somos embaixadores de Cristo, como se Deus estivesse fazendo o seu apelo por nosso intermédio” (2Co 5:20). “Se alguém fala, faça-o como quem transmite a palavra de Deus” (1Pe 4:11).

Em suma, os educadores adventistas devem ser cheios do Espírito, competentes e comprometidos. Essa responsabilidade unificada deve ser nossa prioridade pessoal. Além disso, os elementos integrados de competência e comprometimento devem orientar a instituição no processo de contratação, no estímulo ao crescimento contínuo de seu pessoal e durante todo o processo de avaliação de pessoal (ver Figura 8). Algumas implicações:

  • O Espírito Santo é essencial para o sucesso da experiência de ensino-aprendizagem.
  • Como educadores, devemos ver nossa profissão como um chamado divino, focado na salvação de nossos alunos.
  • Os educadores cristãos devem ser fiéis, como representantes de Deus.

7. Educando para a eternidade

Às vezes, como educadores, adotamos uma visão restrita do que os alunos podem se tornar e nos concentramos principalmente em ajudá-los a passar na matéria ou em buscar garantir que eles possam se formar. Às vezes, essa visão é expandida ao se esforçar para preparar os alunos para serem bem-sucedidos no contexto mais amplo da vida – em sua profissão, seus relacionamentos com amigos e familiares e como cidadãos responsáveis. A educação adventista, no entanto, prevê um escopo mais amplo: educar para a eternidade (ver Figura 9).

O conceito de educação com vistas à eternidade está embutido nas Escrituras: “Asseguro-lhes que aquele que crê tem a vida eterna” (Jo 6:47; ARA). Mas “Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?” (Rm 10:14; ARA). Crer, então, depende de ouvir a Palavra; e ouvir depende de quem compartilha a Palavra. “A verdadeira ciência da educação,”23 escreveu Ellen White, “preparará os jovens para a vida eterna”.24

A salvação deve estar no centro da educação filosófica adventista. “O grande Mestre pede que todo jovem aprenda a verdadeira filosofia da educação: O que devo fazer para ser salvo?”25 Consequentemente, a prioridade final da educação adventista do sétimo dia é que cada aluno possa experimentar pessoalmente a graça salvadora de Deus em sua vida. “A obra da educação e a da redenção são uma.”26

Porque um caráter semelhante a Deus é o único bem “que podemos levar deste mundo para o próximo,”27 a formação do caráter é primordial na educação adventista. Ellen White afirmou que “O grande objetivo a ser alcançado [na educação e preparo da juventude] deve ser o apropriado desenvolvimento do caráter, para que a pessoa possa estar devidamente apta para cumprir os deveres da vida presente, e para participar afinal da vida futura, imortal”.28 O testemunho e o serviço altruísta são expressões tangíveis do caráter cristão, tanto agora como por toda a eternidade.

A prioridade de educar para a eternidade nos fornece implicações para a educação adventista:

  • Cada aluno deve compreender a verdadeira filosofia da educação, incluindo sua dimensão eterna.
  • Como educadores, devemos ver nossos alunos como Deus os vê, candidatos ao céu.
  • A educação adventista deve priorizar a formação do caráter, construindo um compromisso de vida com o testemunho e o serviço.

Conclusão

A filosofia da educação descrita nas Escrituras e delineada nos escritos de Ellen White fornece traços distintivos da educação adventista do sétimo dia. Essa filosofia educacional nos permite definir claramente o propósito, produto, paradigma, perspectiva, processo, poder e prioridade da educação adventista (ver Figura 10). Esses elementos, por sua vez, são essenciais para levar adiante a grande comissão (Mt 28:19, 20) por meio do ministério da educação.29

Em última análise, a filosofia de educação que implementamos representa uma escolha pessoal e, mais ainda, crucial. Parafraseando as palavras de Josué 24:15: “Escolha hoje a quem você servirá – sejam os deuses da educação tradicional que seus mentores serviram, ou os deuses desta era secular em que você vive agora.” Essas perspectivas não são as únicas opções, no entanto. Há um chamado mais elevado, uma filosofia de educação baseada na Bíblia, centrada em Cristo e dirigida para o céu. Como educadores adventistas do sétimo dia, podemos afirmar: “Quanto a mim e minha sala de aula, quanto a mim e minha escola, serviremos ao Senhor!”


Este artigo foi revisado por pares.

John Wesley Taylor V

John Wesley Taylor V, PhD, EdD, é diretor associado do Departamento de Educação da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia, em Silver Spring, Maryland, Estados Unidos. Ele pode ser contatado em [email protected]

Citação recomendada:

John Wesley Taylor V, “Elementos essenciais na filosofia da educação adventista,” Revista Educação Adventista 84:1 (2022). Disponível em: https://www.journalofadventisteducation.org/pt/2022.84.1.2.

NOTAS E REFERÊNCIAS

  1. Bíblia, versão Almeida Revista e Atualizada.
  2. Merriam-Webster Learner’s Dictionary. Disponível em: https://www.learnersdictionary.com/definition/philosophy.  
  3. Biblehub, “Philosophia” (n.d.). Disponível em: https://biblehub.com/greek/5385.htm.
  4. Bíblia, versão ARA.
  5. Ellen G. White, “The Bible in Our Schools,” Manuscript 69, June 17, 1897 (daqui em diante abreviado como Ms).
  6. Id., Educação. Disponível em: http://centrowhite.org.br/files/ebooks/egw/Educação.pdf.
  7. General Conference Working Policy (Nampa, Idaho: Pacific Press, 2020). Outra articulação clara da filosofia da educação adventista do sétimo dia pode ser encontrada em “Journey to Excellence 2.0,” desenvolvido pelo Departamento de Educação da Divisão Norte-Americana. Disponível em: https://journeytoexcellence.com/why.
  8. Uma discussão expandida da filosofia da educação adventista, escrita por George R. Knight como uma série de três partes sob o título “Educação Redentora” pode ser encontrada em uma edição especial da Revista Educação Adventista (v. 73, n. 1). Disponível em: https://www.adventist.education/wp-content/uploads/2017/10/JAE-Philosophy-of-Adventist-Education-JAE-33-Port.pdf; http://circle.adventist.org/files/jae/en/jae201577040404.pdf; http://circle.adventist.org/files/jae/en/jae201073012217.pdf; http://circle.adventist.org/files/jae/en/jae201073013823.pdf. Knight também explora os contornos da filosofia educacional adventista em seu livro Educando para a eternidade: uma filosofia adventista de educação (Tatuí, SP. Casa Publicadora Brasileira, 2017).
  9. Os valores bíblicos estabelecem o fundamento para a formação do caráter moral. “Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o SENHOR pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus” (Mq 6:8; ARA). O caráter, por sua vez, orienta o raciocínio moral. A instrução de Deus aos levitas pode ser aplicada ao trabalho dos professores cristãos hoje: “A meu povo ensinarão a distinguir entre o santo e o profano e o farão discernir entre o imundo e o limpo” (Ez 44:23).
  10. Veja, por exemplo, Levítico 19:2; 20:26; Isaías 43:15; Efésios 4:24; 1 Pedro 1:16.
  11. Salvo indicação em contrário, todos os textos bíblicos neste artigo são citados da Nova Versão Internacional da Bíblia.  
  12. As seguintes passagens, entre outras, destacam a capacidade humana de livre-arbítrio: Números 17:5; Deuteronômio 12:11; 30:19; Josué 24:15; 1 Crônicas 21:10; Provérbios 1:29; 3:31; Isaías 7:15-16; 56:4; 65:12.
  13. Ellen G. White, Mente, caráter e personalidade (Tatuí, SP.: Casa Publicadora Brasileira. 1989), 1:359.
  14. Id., Educação, p. 13.
  15. O conceito de desenvolvimento harmônico nos escritos de Ellen White é examinado em um artigo do autor: “Ellen White and the Harmonious Development Concept,” Revista Educação Adventista 76:5 (verão de 2014): 16-19. Disponível em: https://circle.adventist.org/files/jae/en/jae201476051604.pdf.
  16. New Living Translation (NLT), copyright © 1996, 2004, 2007, 2013, 2015 by Tyndale House Foundation. Usado com permissão de Tyndale House Publishers, Inc., Carol Stream, Illinois 60188. Todos os direitos reversados.
  17. Ellen G. White, A ciência do bom viver (Tatuí, SP.: Casa Publicadora Brasileira, 2006), p. 401.
  18. Citado em J. H. Merle d'Aubigné, The History of the Reformation of the Sixteenth Century, 190 (Whitefish, MT: Kessinger Publishing, 2003). Nota: Edição francesa publicada em 1835. Edição inglesa publicada em Londres, em 1846.   
  19. Ellen G. White, Carta 2, 4 de março de 1895 (Doravante abreviada Lt). Escrita “para aqueles que trabalham em Cooranbong” (Austrália) que estavam se esforçando para estabelecer uma faculdade adventista, agora Avondale University.
  20. Id., “A Plea for Loyalty,” Ms 106, 20 nov. 1905.
  21. Id., Conselhos aos professores, pais e estudantes (Tatuí, SP.: Casa Publicadora Brasileira. 1943). p. 229. Ela declarou ainda: “Aqueles que estão engajados como professores em nossas escolas devem alcançar um alto padrão de consagração.” “Nenhum outro Deus diante de mim,” The Advent Review and Sabbath Herald 84:24 (13 jun. 1907): 8
  22. Id., “True Education,” Ms 135, 19 out. 1898.
  23. Id., “What Is Higher Education?” Ms 1, 19 jan. 1909.
  24. Id., “Diary/The Use of Means and Family Responsibilities,” Ms 204, 20 out. 1903. Referindo-se ao trabalho educacional no que se tornaria a Universidade Loma Linda, ela afirmou: “Queremos de todas as maneiras fazer todo o possível para ter ali o poder educador que será de ordem santificada. Não queremos trabalho trivial feito lá. Estamos trabalhando para a eternidade” (“Sermon/Thoughts on Exodus 19,” Ms 187, 19 maio 1907).
  25. Id., Special Testimonies on Education (1897). No imprint. (Reprint, Payson, Ariz.: Leaves-of-Autumn Books, 1978.) p. 240.
  26. Id., Educação, p. 30.
  27. Id., Mensagens aos jovens, p. 100. Disponível em: http://centrowhite.org.br/files/ebooks/egw/Mensagens%20aos%20Jovens.pdf.
  28. Id., Mente, caráter e personalidade, 1:361. Ellen White enfatizou ainda mais a primazia da formação do caráter na seguinte declaração: “A verdadeira educação não desconhece o valor dos conhecimentos científicos ou aquisições literárias; mas acima da instrução aprecia a capacidade, acima da capacidade a bondade, e acima das aquisições intelectuais o caráter. O mundo não necessita tanto de homens de grande intelecto, como de nobre caráter [...] A formação do caráter é a obra mais importante que já foi confiada a seres humanos; e nunca dantes foi seu diligente estudo tão importante como hoje. Jamais qualquer geração prévia teve de enfrentar transes tão momentosos; nunca dantes moços e moças foram defrontados por perigos tão grandes como hoje.” (Educação, p. 225).
  29. Ellen White afirmou: “Àqueles que [. . .] não estão dispostos a aprender com o grande Mestre a verdadeira filosofia da educação [. . .] nunca deve ser confiado o trabalho de ensinar os jovens” (“Educação,” Ms 141, 24 out. 1898).